por Jieli Brito, Mestra em Educação | Guia Montessori – MACTE-USA

@jieli.brito

Antes de querermos ensinar algo para uma criança, precisamos cativá-la com nosso real interesse pela sua vida! Nada do que for dito ou escrito acerca da relação afetividade e aprendizagem terá sentido se o adulto ao qual acessa a esse conhecimento não tiver a disposição de amar a criança! Escritas essas palavras, prossigamos!

A afetividade ocupa um lugar central nos processos de aprendizagem, sendo reconhecida pela psicopedagogia como elemento indissociável do desenvolvimento cognitivo conforme afirma Bossa, “Não existe aprendizagem sem vínculo. Toda aprendizagem está atravessada por uma relação afetiva que pode favorecer ou bloquear o aprender.” (BOSSA, 2011, p. 78). Estudos contemporâneos demonstram que emoções, vínculos e experiências afetivas influenciam diretamente a maneira como o sujeito se relaciona com o conhecimento, podendo favorecer ou dificultar o aprender. Dessa forma, compreender a dimensão afetiva torna-se essencial para a construção de práticas educativas mais eficazes e inclusivas.

No campo psicopedagógico, a aprendizagem é entendida como uma experiência relacional. O vínculo estabelecido entre educador e aprendiz, bem como a forma como o sujeito se percebe capaz ou incapaz de aprender, exerce forte impacto sobre seu engajamento e desempenho escolar. Experiências marcadas por frustrações, insegurança ou medo podem gerar bloqueios que se manifestam como dificuldades de aprendizagem, mesmo quando não há comprometimentos cognitivos ou neurológicos. Como afirma Oliveira, “A inteligência emocional e a cognição não funcionam de forma separada; o cérebro aprende melhor quando o sujeito se sente seguro e emocionalmente envolvido.” (OLIVEIRA, 2013, p. 62).

O Método Montessori, ao valorizar um ambiente acolhedor, organizado e previsível, contribui significativamente para a segurança emocional da criança. A liberdade com responsabilidade, característica dessa abordagem, permite que o aprendiz faça escolhas, experimente, erre e recomece, fortalecendo sua autoestima e autonomia. Esse clima emocional positivo favorece a concentração, a persistência e o prazer em aprender. E Montessori, nesse sentido, defende que “A primeira tarefa da educação é agitar a vida, mas deixá-la livre para que se desenvolva.”(MONTESSORI, 2018, p. 49)

A neurociência reforça essas concepções ao demonstrar que o cérebro aprende de forma mais eficiente quando o sujeito se sente emocionalmente seguro e motivado. Emoções positivas estimulam áreas cerebrais relacionadas à atenção e à memória, enquanto estados de ansiedade e estresse tendem a prejudicar esses processos. Assim, afetividade e cognição não podem ser tratadas como dimensões separadas.

Dessa forma, a articulação entre psicopedagogia e Método Montessori evidencia que cuidar do aspecto emocional não é um complemento da prática pedagógica, mas condição essencial para que a aprendizagem ocorra de maneira plena e significativa.

O olhar da criança para o adulto revela o quanto ela está se sentindo acolhida. Daí a importância da atenção plena, não somente da criança, mas do adulto em suas relações com as crianças. Atenção plena exige olho no olho, ouvidos realmente disponíveis, mãos sem que se disponham e um sorriso que por si só diga “Está tudo bem, você pode confiar em mim!”.

Com o carinho e cuidado de sempre,

Jieli Brito

Referências:

BOSSA, Nádia A. Psicopedagogia no Brasil: contribuições a partir da prática. Porto Alegre: Artmed, 2011.

MONTESSORI, Maria. Pedagogia científica. São Paulo: Flamboyant, 2018.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento. São Paulo: Scipione, 2013.