
por Jieli Brito, Mestra em Educação | Guia Montessori – MACTE-USA
@jieli.brito @educanocaminho
Criança precisa de brinquedo?
A diferença entre os brinquedos e os materiais montessorianos
Se existe uma pergunta que é repetidamente feita no mês de outubro às crianças, essa pergunta é a seguinte: Qual brinquedo você quer ganhar? E que bom! O fato dessa pergunta ser feita mostra que existe um adulto bem intencionado com relação à criança.
Expostas aos apelos da mídia e do consumo ou não, as crianças desejam brincar. Mas por vezes nos esquecemos que brincar não é sinônimo de brinquedo! Quem de nós nunca brincou de pega-pega, esconde-esconde ou adedonha (stop, dependendo da região)? Ou para aqueles mais privilegiados com relação a uma infância ligada à natureza, quem nunca se divertiu ao subir em uma árvore, correr atrás de galinhas ou mesmo tomar um banho de chuva? Todos estes são exemplos de brincadeiras que não exigem brinquedos e que divertem tanto quanto ou mais.
Este texto não é uma apologia à extinção dos brinquedos, mas um convite a olhar a infância sob outra ótica.
Maria Montessori não idealizou nenhum brinquedo e ao contrário do que muitos pensam as salas de aula montessorianas não têm brinquedos, mas sim materiais desenvolvidos cientificamente após observar as demandas das próprias crianças. Os materiais montessorianos são idealizados para levar a criança a autoeducação, eles são apenas a ponte e compõem um ambiente preparado que associado à condução de um adulto preparado levará à criança equilibrada, conforme Maria Montessori define, ou ao estado de flow, segundo a neurociência. O estado de flow ou equilíbrio acontece quando a criança se encontra focada e feliz.
Cada material montessori tem uma função específica e traz em si o controle do erro, isso significa que a própria criança descobrirá se está realizando a atividade da forma adequada ou não. Em uma sala de aula montessoriana as crianças são ensinadas a trabalhar com os materiais e que os mesmos não são brinquedos. Onde entra então a brincadeira? Retomemos, portanto, o início deste texto e observemos a diferença entre brinquedo e brincadeira para responder a esta pergunta.
Na frase “brincar é o trabalho da criança” não está incluso o brinquedo! Brincar ganha um sentido mais completo e mais próximo de realização, alegria e contentamento. Enquanto trabalha com um material de geografia, desmontando e montando um mapa ou enquanto corre pelo pátio livremente sentindo o vento no rosto a criança tem a oportunidade de brincar, mas brincar em seu sentido mais pleno.
Uma das definições de brincar no dicionário é “representar papéis fictícios” e se a criança ao invés de apenas representar de forma fictícia puder executar de verdade (cozinhar, costurar, cuidar de um ser vivo) não por obrigação, mas por prazer, deixará de ser brincadeira? Ou passará a ser a mais genuína forma de brincar?
O brincar no Método Montessori é a liberdade de ser criança e ao mesmo tempo ser respeitada em sua humanidade e singeleza!
Esclarecida a distinção entre o brinquedo e o brincar no Método Montessori cabe-nos aqui dizer que os materiais montessori possuem um padrão tanto de utilização quanto de fabricação e muito do que se vende hoje no Brasil e mesmo em outros países tem apenas o título de montessori, mas não é. Cabe aos interessados verificar sempre junto a sites e profissionais especializados no método acerca da procedência do que se pretende adquirir.
Os materiais foram criados para serem utilizados por um adulto preparado e formado no método, portanto é importante buscar a formação ou conduzir as crianças a escolas e profissionais com certificação reconhecida. Mas para aquelas mães que desejam praticar o método com suas crianças em casa há muitas formas de fazê-lo, com e sem materiais, mas este já é assunto para o nosso próximo texto.
E sim, crianças podem ter brinquedos, mas mais do que ter brinquedos, crianças precisam BRINCAR!
[Texto produzido sem o auxílio de IA. Por uma escrita HUMANA e que fale ao coração!]
Com o carinho e cuidado de sempre,
Jieli Brito
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