por Jieli Brito, Mestra em Educação | Guia Montessori – MACTE-USA

@jieli.brito

O termo adultização entrou em destaque no último mês após a denúncia em formato de vídeo postado por um influenciador digital. Por certo, você teve acesso ao vídeo citado ou a comentários e reportagens derivados dele. Sim, é absolutamente inconcebível permitir ou incentivar crianças a situações às quais elas sejam expostas sensualmente ou envolvidas em práticas que apresentem qualquer tipo de violência. Mas para além do objetivo proposto pelo vídeo, de fazer denúncias a situações realmente condenáveis, abro a discussão para um outro aspecto.

Nossas crianças estão sendo inseridas no “mundo adulto” ou estão sendo infantilizadas por nós professores, família e demais cuidadores?

Uma das frases mais conhecidas de Maria Montessori é “Nunca ajude uma criança em uma tarefa que ela sente que pode realizar sozinha”. Se nós adultos seguíssemos à risca essa orientação teríamos mais crianças felizes ao sentirem-se úteis no mundo, não um “mundo (exclusivamente) adulto”, mas em um mundo que também pertence a ela.

Devemos permitir às nossas crianças ver, tocar, sentir e produzir no mundo. Não apenas de modo “infantilizado” mas de modo real. Montessori após suas observações descobriu que as crianças preferem objetos reais a brinquedos que apenas simulam a realidade. Crianças devem ver objetos reais, tocar em objetos reais, ouvir, cheirar o que é real e natural e produzirem o que é útil.

Por vezes, tanto nas escolas quanto nas brincadeiras que lhe são permitidas, as crianças somente têm acesso a brinquedos de “comidinha”, de “salaõzinho”, de “ferramentinhas”, tudo no diminuitivo e de péssima qualidade (em todos os sentidos). A escola tem mudado, é verdade! Mas em sua tentativa de ser contrutivista até insere objetos reais, mas desprovidos de sentido. Usar milho de verdade para levar a galinha ao pintinho em uma atividade impressa está longe de aproximar a criança da realidade.

Sim, todo esforço é válido! E que bom que cada vez mais pessoas tem aberto os olhos para a urgente inserção das crianças em “nosso mundo adulto” mas o trajeto ainda é longo e não podemos parar!

As lojas de brinquedos continuam cheias de brinquedos de “faz de conta”, e entre um celular na mão e uma panela de brinquedo não resta dúvidas de que a panela do plástico mais fajuto será infinitamente melhor. Mas minha memória infantil não me deixará na dúvida entre o “faz de conta” e o “mundo adulto” ao me lembrar dos dias em que eu brincava de “cozinhado” fazendo comida de verdade em minha mini panela de verdade junto à minha avó no quintal da casa dela. Minha avó é a prova de que promover uma infância feliz não é privilégio de montessorianos, piagetianos ou de seguidores de qualquer outro teórico. Para se promover uma infância feliz é preciso antes de tudo ter um olhar sensível e um coração disposto a dar autonomia para a criança.

Devemos dizer não à adultização que priva a beleza da infância, mas também devemos dizer não à infantilização que menospreza a potência das mentes e das mãos das nossas crianças.

O termo infantilização é apresentado no dicionário como ato de infantilizar, que por sua vez é definido como tornar ou ficar infantil. É obvio que não há definitivamente nada de errado em uma criança ser infantil, pois esta é sua essência. No entanto, este texto chama a atenção para o fato de se substimar a autonomia infantil, diminuindo em sentido prático e conceitual o que uma criança é capaz de realizar.

Para os montessorianos este texto pode soar como mais do mesmo, mas existem inúmeras pessoas que nunca pararam para pensar nesse tema. Se você leu até aqui, compartilhe com mais pessoas e acenda a luz na mente de outros adultos que poderão por sua vez iluminar tantas outras crianças!

Disse Jesus em sua oração pelos seus discípulos “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal”. Assim, também intercedamos pelas nossas crianças e parafraseando o texto sagrado digamos “Que não os tiremos do nosso mundo, que também é deles, mas que tão somente, retenham o que é bom!”

 

[Texto produzido sem o auxílio de IA. Por uma escrita HUMANA e que fale ao coração! ]

 

Com o carinho e cuidado de sempre,

Jieli Brito