“Montessori em casa” é o nome do livro que Juliana Ferramola Garcia Centola, 40 anos, está lançando pela Editora Chiado. Juliana nasceu e morou em Campinas-SP, passando toda sua infância e adolescência no interior paulista, até casar-se e ir morar nos Estados Unidos, em 2013, e depois na Suíça. As crianças sempre tiveram um papel de protagonistas em toda sua trajetória.
“Cresci frequentando escola Montessori e minhas escolhas profissionais me levaram a cursar Comunicação Social e trabalhar com Marketing e Publicidade. Mas minha paixão é trabalhar com crianças, tanto na escola tradicional como em pequenos grupos que eu formava em minha casa. É nisso que me realizo”, conta Juliana, conhecida pelo público como Mamãe Montessori.
Na verdade, essa paixão não surgiu repentinamente. Já na adolescência, Juliana se envolvia com as crianças. Aos 15 anos dava aulas de inglês, artes e ecologia no Kid’Space, da hípica. A partir daí, esteve em grupos de teatro, animação em festas infantis, monitoria em acampamentos e trabalhou como professora de Artes Visuais. Tudo isso lhe deu muita experiência sensorial e cultural. Especialmente com os pequenos. Já casada, nos Estados Unidos, Juliana cursou o treinamento Montessori da AMS (American Montessori Society), para classes primárias e também, pelo NAMC (North American Montessori Center) para bebês e Toddlers (entre 0-3 anos).
Toda essa experiência de vida – é mãe de dois filhos – e com o Montessori acabam de se transformar em uma espécie de guia prático para as famílias que desejam experimentar o método em casa com as crianças.
“O Universo infantil já é a fotografia da felicidade! Ver o nascimento e acompanhar o desenvolvimento de um ser, com suas conquistas diárias, nos faz ver a maravilha que é o ser humano, a riqueza dos detalhes, a natureza dos esforços e a beleza da descoberta. A questão da Educação Montessoriana em deixar a criança ser seu próprio professor, enquanto o adulto observa e prepara o ambiente para ela é fundamental”, conta a autora.
Juliana lembra o imenso legado de Maria Montessori, que despertou os adultos para a grandeza do seu papel, de colaborar com o desenvolvimento da criança, permitindo que ela descubra o mundo e a si mesmo no seu ritmo, no seu tempo.
“Tenho a convicção de que é uma educação para uma vida de autonomia desde cedo, e da aquisição da independência, com o respeito e a educação para a paz como maior conceito. Escrever este livro, após anos de pesquisa, trabalho e laboratório com meus próprios filhos, é a concretização de uma missão em compartilhar com outros pais e educadores um material prático e de fácil compreensão, com exemplos reais da vida cotidiana de uma família toda envolvida na educação dos filhos”, que está de partida para Singapura.
Educação que Juliana sempre adotou em casa, com seus filhos, e que a levou a abrir em 2019 a Montessori Spielhaus, escola que une o livre brincar e a pedagogia Montessori. Os grupos pequenos e as atividades em ambiente aberto permitiram que o trabalho seguisse de forma híbrida – presencial e online – depois da chegada do coronavírus.
Hoje, Juliana tem se dedicado a difundir o Montessori através de suas redes sociais e dos cursos online para as famílias com crianças até 6 anos que desejam aplicar o método em casa. Tudo isso sem deixar de lado as aulas de pós-graduação em Montessori, a mentoria a famílias e escolas, e o cuidado com os filhos diante de uma mudança de continente.
“As crianças conseguem se sentir autossuficientes e dependem menos da ajuda e do nosso cuidado. Elas conseguem se espelhar em nós e se sentirem seres responsáveis”.
Ao olhar para trás, Juliana lembra de sua postura como uma mãe controladora e a forma como cuida do crescimento dos filhos com o uso do Montessori. Uma completa mudança de comportamento.
“Eu dirigia e controlava todos os passos. Agora dou um passo atrás e deixo eles agirem com liberdade, dentro dos limites. Posso dizer que tudo mudou por que hoje vejo meus filhos agirem com responsabilidade, independente do meu controle. Isso vale ouro, especialmente numa sociedade em que há falta de paciência e o apelo das telas é muito grande. E não é preciso ter muito dinheiro para promover esta mudança e aplicar o Montessori em casa. Isso é um mito. Uma mudança de comportamento dos adultos já basta”, completa Juliana.
Paulo Prudente, Reportagem e texto.
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